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Prevenção do suicídio na escola: o papel de pais e educadores

Falar sobre suicídio com adolescentes não aumenta o risco — o silêncio, sim. Essa é uma das descobertas mais consistentes da pesquisa em prevenção, e também uma das menos conhecidas por pais e educadores. Quando a escola cria espaços seguros de conversa, jovens em sofrimento encontram uma ponte para pedir ajuda antes que a dor se torne insuportável.

Por que a escola é um lugar decisivo

A adolescência concentra transformações intensas — identidade, pertencimento, pressão acadêmica, redes sociais — e é também a fase em que muitos transtornos mentais dão seus primeiros sinais. Professores e colegas estão, muitas vezes, na melhor posição para perceber mudanças: isolamento repentino, queda de rendimento, alterações de humor, frases de desesperança, despedidas sutis. Perceber é o primeiro passo; saber o que fazer em seguida é o que salva vidas.

O que pais e educadores podem fazer

Prevenção não exige que adultos virem terapeutas. Exige três atitudes ao alcance de todos: perguntar com cuidado e sem julgamento (“tenho notado você mais quieto — como você está de verdade?”), acolher a resposta sem minimizar (“isso vai passar” costuma fechar a porta que acabou de se abrir) e encaminhar para ajuda profissional, acompanhando o processo. A mensagem que o jovem precisa receber é simples: sua dor é levada a sério, e você não está sozinho.

No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e pelo chat em cvv.org.br. Em emergências, o SAMU (192) deve ser acionado. Divulgar esses canais na escola — em murais, agendas, grupos de famílias — já é um ato de prevenção.

Heróis da Nossa Existência: prevenção com sentido

Foi para apoiar escolas e universidades nessa missão que criei o projeto Heróis da Nossa Existência. São palestras e encontros formativos para três públicos — alunos, famílias e educadores — que unem a ciência da prevenção do suicídio à perspectiva da logoterapia de Viktor Frankl: a convicção, sustentada por evidências, de que o senso de propósito é um dos fatores de proteção mais poderosos da saúde mental juvenil.

Com os alunos, trabalhamos de forma acolhedora e adequada à idade os temas de sofrimento, pedidos de ajuda e propósito. Com pais e educadores, apresentamos sinais de alerta, formas seguras de conversar e caminhos de encaminhamento. O projeto nasce de 19 anos de prática clínica e da pesquisa que desenvolvo na USP e na The Catholic University of America (Washington, DC) sobre sentido da vida e prevenção do suicídio.

Leve o projeto para a sua escola ou universidade

Se você é gestor escolar, coordenador pedagógico, professor ou família interessada, entre em contato pelo formulário do site para conversarmos sobre uma palestra ou programa no seu contexto — disponível presencialmente em São Paulo e São José dos Campos, e online para todo o Brasil, em português, inglês ou espanhol. Prevenção do suicídio não é assunto de um mês por ano: é um compromisso permanente de quem educa. E toda escola pode formar heróis — pessoas comuns que aprendem a perceber, acolher e encaminhar.

Se você está passando por sofrimento intenso neste momento, procure apoio agora: ligue 188 (CVV, gratuito, 24h) ou acesse cvv.org.br. Falar ajuda — e há sempre quem queira ouvir você.

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© 2024 por Elison Santos.

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